14 de janeiro de 2010

Dar porcos e receber chouriços..


Ontem no Jornal Record Online falava-se na possibilidade de um acordo com o Manchester City, ao modo do que temos, ou tínhamos, com o Manchester United, que previa o direito de opção pelos jovens talentos provenientes da Academia.

Neste caso, mesmo considerando a disponibilidade financeira quase ilimitada dos "citizens" de Manchester proporciona excedentes apetecíveis, não me deixo seduzir com tanto brilho. Acima de tudo porque se traria a uma situação em que o Sporting era equiparado a um clube satélite (O Real Massamá do Manchester City). Pese a qualidade dos jogadores que poderíamos receber, ou não receber, como aconteceu com os outros demais protocolos realizados deste tipo, estes viriam sempre por empréstimo, servindo nós de incubadora dos jogadores que, pelas mais variadas razões, não vingassem no clube inglês. Falámos de jogadores com vencimentos mensais muito acima do nosso tecto salarial e que, uma vez valorizados ou recuperados regressam à casa-mãe ou serão vendidos a quem lhes poder chegar. Em contrapartida o City ficaria com prioridade sobre os nossos activos, que sendo de qualidade, e interessando ao City, interessarão a qualquer um, pelo que um acordo destes me parece limitador da nossa capacidade negocial.

Fará muito melhor o Sporting em ter um gabinete de prospecção que se posicione nos mercados ao nosso alcance, poderia ser mais rentável ao Sporting realizar acordos com clubes de maior dimensão, nomeadamente de África e das Américas, não fechando contudo a porta a negócios de ocasião com qualquer clube que revele essa disponibilidade. Mas receber jogadores por empréstimo, cuja aquisição esteja fora do nosso alcance, só mesmo em condições excepcionalmente vantajosas e que representem ganhos desportivos evidentes.

Fará também muito melhor o Sporting se tratar de garantir uma integração sustentada aos “meninos” da Academia. Nesse sentido, fazia todo o sentido a existência de uma equipa B, desde que bem integrada no clube e num campeonato atractivo, que está longe de ser a II B. Uma politica de empréstimos mais criteriosa do que a verificada este ano parece ser o caminho mais válido num futuro próximo. O que não deverá impedir que jogadores de qualidade excepcional não possam ser integrados de imediato no plantel principal.

O que eu não gosto mesmo nada de ver é a nossa disponibilidade para dar porcos para receber apenas chouriços. No fundo foi isso que aconteceu com o recente acordo com CM de Lisboa. O que tenho lido pela mais diversa imprensa, leva-me a crer que passados todos estes anos, sobra para a história o tratamento displicente com que a autarquia de Lisboa tratou uma das instituições que melhor propaganda faz à cidade e ao País que tem no seu nome. O acordo ontem alcançado repõe apenas alguma justiça, mas deixa de lado a reparação do mal que está feito.

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